Investimento imobiliário em Portugal ultrapassa €1,3 mil milhões durante a pandemia

Sun 5 Jul 2020

Os negócios abrandaram mas não pararam totalmente no imobiliário português. Portugal continua ‘bem cotado’ à escala internacional e quase todos os dias chegam pedidos de informação sobre como investir no mercado imobiliário

A abertura de uma loja da marca de luxo Dolce & Gabanna, na primeira semana de Maio, em plena Avenida da Liberdade, no centro de Lisboa, era apenas mais um sinal. O país começava a desconfinar e a empresária Paula Amorim, promotora daquele investimento comercial, mostrava, assim, que os negócios imobiliários (e da moda) não pararam com a pandemia.

Não só não pararam — de que é exemplo o que Paula Amorim tem em marcha na Comporta, com o investidor francês Claude Berda — como, desde a declaração do estado de pandemia até ao final desta semana, foram investidos ou lançados projetos imobiliários em Portugal num valor superior a €1300 milhões.

Sector imobiliário já movimenta €30 mil milhões por ano
O vice-presidente da APPII socorre-se de mais números para sustentar a importância do sector e garante que movimenta perto de €30 mil milhões por ano, o equivalente a 15% do produto interno bruto. Admite ainda que o imobiliário está a crescer 20% ao ano, tanto em volume de investimento como em número de transações.

A associação que reúne os principais investidores do sector ainda não dispõe de números consolidados do primeiro semestre deste ano, sendo certo, porém, que houve uma quebra significativa nas vendas de imóveis, mas não tanto ao nível da promoção de novos projetos.

Investimento via Golden Visa não quer ir para o interior
No que diz respeito à concessão de Golden Visa, os dados indicam claramente que há uma preferência inequívoca por Lisboa, Porto e Algarve (perto de 97% do total). Sobre a anun­ciada obrigatoriedade — ainda não concretizada — de os Golden Visa serem encaminhados para o interior “temos de ser realistas. O investimento vai para onde há menos risco e para onde há massa crítica, volume de mercado. E isso não está no interior do país. Se os investidores se sentirem obrigados a fazer o que não querem, naturalmente vão-se embora para outro país. Não se pode levar o capital para onde ele não quer ir.”

Uma das vias possíveis para a atração de investimento imobiliário para o interior é, segundo o dirigente da APPII, “as autar­quias tornarem os seus território mais atrativos. Algumas já o fizeram e com resultados”.

No seu conjunto, o país, pela forma como lidou com a crise sanitária desde o início da pandemia e também pela imagem que projetou para o exterior, acabou por gerar confiança junto dos investidores e dos mercados financeiros. O vice-presidente da APPII considera que “a liquidez que existe tem de ser canalizada para algum lado, logo, se o mercado português se mantiver atrativo, consistente, credível e seguro, o dinheiro chega naturalmente”.

Só assim se explica que, mesmo perante a adversidade da pandemia, largas dezenas de novos projetos imobiliários tenham sido lançados no mercado português e promovidos internacionalmente “com sucesso”.

Os números

30 mil milhões de euros é o montante movimentado anualmente pelo sector imobiliário, um valor equivalente a 15% do Produto Interno Bruto português

20% ao ano é quanto tem crescido o sector imobiliário tanto em volume de investimentos como em número de transações

5 mil milhões de euros foi o volume de investimento induzido pela concessão de Golden Visas nos últimos anos. Perto de 97% daquele montante foi para as zonas d eLisboa, Porto e Algarve

7 mil milhões de euros podem estar a caminho do mercado imobiliário nacional, segundo um inquérito da C&W

Leia o artigo original aqui.

Fotografia de Iulia Topan em Unsplash

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