Mercado Imobiliário em Portugal Vai Continuar a Crescer

Tue 3 Mar 2020

Ignacio de la Torre, economista chefe do banco de investimento espanhol Arcano, discutiu "Porque é que os mercados imobiliários português e espanhol continuarão a subir" num evento organizado recentemente pela Associação Portuguesa de Investidores e Promotores Imobiliários (APPII) e afastou os receios de uma nova recessão ou bolha imobiliária na Península Ibérica. Tanto Portugal como Espanha estão numa situação financeira mais forte e equilibrada no que diz respeito aos seus mercados imobiliários do que muitos outros países em todo o mundo. Porquê? Porque ambos os países não estão a depender de empréstimos estrangeiros.

O mercado ibérico

Ignacio de la Torre diz que, ao olhar para o mercado imobiliário de Portugal e de Espanha, muitas pessoas se concentram nos retornos e na quantidade de propriedades que sobem. Com demasiada frequência, esquecem-se dos riscos associados aos retornos.

"Se compararmos os dois mercados imobiliários antes da crise, os preços das casas subiam acentuadamente, mas não tinham em conta os riscos. Os sistemas de ambos os países estavam a servir enormes défices da conta corrente e dependiam de muita dívida em relação ao PIB. Quando se depende da dívida em relação ao PIB, mais cedo ou mais tarde vai se criar um grande problema", diz ele.

Olhando para os dois mercados hoje, eles estão crescendo de acordo com a renda disponível. Em Portugal, os salários estão a crescer cerca de 3%, enquanto em Espanha estão a 2,2%, com o crescimento do emprego a 1% em Portugal e 2% em Espanha.

"Os riscos são críticos. Tanto Portugal como Espanha, pela primeira vez em 40 anos, estão a usufruir de um equilíbrio nos saldos das suas contas correntes. Não estamos a construir casas com base em empréstimos alemães. Se analisarmos o rácio de crescimento da dívida total em relação ao PIB, nominalmente falando (famílias + empresas), temos um crescimento saudável (acima de 1% é perigoso; ambos estavam a 3% em 2006). Hoje tanto Portugal como Espanha têm uma intensidade abaixo de 0%, o que é muito saudável", diz o economista.

De la Torre sublinha que as pessoas e os investidores procuram agora financiar os seus investimentos a partir de poupanças, em vez de dependerem de financiamento estrangeiro. Olhando para o sector privado tanto em Espanha como em Portugal, tanto as empresas como as famílias estão a poupar. O total da alavancagem está a diminuir, o que é saudável.

Ciclo imobiliário longo

Ignacio de la Torre prevê que o ciclo imobiliário tanto em Espanha como em Portugal será longo - mais longo do que o tradicional ciclo de 12 anos.

"Hoje, a realidade é que a dimensão é importante quando se trata de assegurar um financiamento mais barato". Quando se estudam os mercados de desenvolvimento na França, Alemanha e Reino Unido, onde cinco empresas têm 50% da quota de mercado, em Portugal e Espanha é o contrário, com apenas 5-6% detidos pelos grandes jogadores. Isso era bom quando se tinha bancos apoiando o mercado de desenvolvimento. Agora eles não o fazem e a consolidação das empresas de desenvolvimento é inevitável", diz o economista da Arcano.

A resposta ao financiamento é emitir bônus para garantir o dinheiro onde os bancos não estão mais em condições de fazê-lo; e, para emitir bônus, uma empresa precisa de escala. Isso leva a parcerias, fusões e consolidações.

(...)

Leia o artigo original aqui.

Fotografia de Jessie Brown em Unsplash

Our website, like many others, uses cookies to help us customise the user experience. Cookies are important to the proper functioning of a site. To improve your experience, we use cookies to remember log-in details and provide secure log-in, collect statistics to optimize site functionality and deliver content tailored to your interests.

Agree and Proceed
X